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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Drops

A nova seção do Blog que traz informações rápidas dos assuntos mais comentados durante a semana.

Parada do Orgulho de São Paulo

A Parada da Diversidade de São Paulo, considerada a mior do mundo, acontece no próximo domingo, 14 de junho. Diferente de outras edições do evento, este ano a parada não terá entre seus 20 trios elétricos. 1200 militares farão a segurança do evento juntamente com 420 seguranças particulares. O orçamento deste ano é de $ 760 mil reais.

Príncipe Indiano


Mandreva Gohil

Como divulgado em post anterior, o Príncipe Indiano Manvendra Singh Gohil, 43, estará no país e participará da Parada em São Paulo. Manvendra é responsável pela ONG Lakshya Trust, fundada no ano 2000 e que atua na prevenção de HIV/Aids.

Programação Cultural

A Associação dos Amigos da Parada preparou uma super programação para esta semana! 200 mil pessoas passaram pela Feira Cultural organizada ontem, 11 de junho, no Vale do Anhangabaú. Além da feira, a cena GLS da cidade ferveu durante toda a semana com opções para o público LGBT.


Transexuais e Travestis

As identidades "T" ganharam um posto de saúde em São Paulo! É um espaço ao lado do
Núcleo de Doenças Sexualmente Transmissíveis do Centro de Referência e Treinamento (CRT/Aids), na Vila Mariana, Zona Sul da capital paulista. Nele Travestis e Transexuais receberão atendimento de uma equipe de profissionais especializados e preparados para trabalhar com o grupo. Que venham outros em outras cidades! E que sejam disponibilizados cursos de especialização ao atendimento médico à este grupo que ainda sofre muito constrangimento na rede de saúde do País.

Filha da cantora Cher inicia tratamento de resignificação


Chaz iniciou o processo de ressignificação

Chastity Bono, 40 anos, filha de Sonny Bono e Cher, iniciou os processos de transgenitalização. Ativista dos direitos LGBT's Chaz, que é advogado, está muito feliz com a decisão de acordo com suas fontes oficiais. Chaz assumiu sua homossexualidade aos 20 anos ainda com Chastity e ficou quase 10 anos afastax de sua mãe. Agora, aos 40, espera servir de exemplo para muitxs transexuais ao assumir sua verdadeira identidade.

E pra terminar

De forma geral a cobertura do caso de Chaz deixou muito a desejar. Nem mesmo blogs voltados ao público LGBt's souberam tratar do assunto. Muita chacota e pouco entendimento sobre a identidade transexual foi o que se pôde observar. Claro que houve quem conseguiu tratar o assunto de forma consciente.

A grande mídia, e muitos veículos LGBT's, devem ficar atentos ao falar sobre as paradas de diversidade. Não se tratam de paradas gays e sim paradas da diversidade. Fica dica!

Dia 12 de junho, dia dos namorados, vi apenas um programa, na tv aberta, apresentar um casal não heterossexual.



terça-feira, 12 de maio de 2009

Sobre pessoas e suas opiniões...


Eu tenho um amigo que diz "eu já sou bonito, não preciso ser inteligente!", infelizmente nenhuma das duas afirmativas é verdadeira. Ele nem é bonito e sim você precisa ter conteúdo sim! Sua beleza, se é que você tenha alguma, será notada assim que você chegar aos lugares mas ficará apagada no decorrer dos eventos assim que você parar para conversar e perceberem que você não tem nada a oferecer.

Estaria eu dizendo que temos que ter opinião sobre tudo? Que pessoas bonitas são burras? Começo respondendo pela última. Apenas peguei esta frase para tentar desenvolver meu pensamento a respeito de alguns acontecimentos dos últimos dias. Obviamente não acredito que quanto mais bonito mais tapado você seja. Não vivo em um filme teen. Também não acho que se deva ter opinião sobre tudo e, menos ainda, que determinadas opiniões sejam explicitadas.

Em conversas sobre assuntos cujo meu ponto de vista é retrógrado e preconceituoso prefiro sair com "Não sei o que pensar sobro isto" ou "Prefiro não dizer nada". Ter, ou melhor, dar opinião sobre tudo pode ser tão perigoso quanto não ter sobre nada.

Há duas semanas, mais ou menos, durante o concurso que elegeu a Miss Eua uma das finalistas ao ser quetionada sobre o que achava do casamento entre pessoas do mesmo sexo respondeu que não tinha nada contra - vocês já perceberam como essa frase neste contexto, quase sempre, vem seguida de mas? -, mas que casamento é entre opostos. Este episódio gerou manchetes durante um bom tempo. A senhorita que fez o pronunciamento era a favorita ao título e, de acordo com muitos, sua derrota se atribui a essa frase.

Já esta semana outro pronunciamento, também neste sentido, foi dado durante a escolha da Miss Botsuana, pequeno país da África. Neste caso a candidata foi aplaudida e ao fim da competição foi coroada Miss. Em Botsuana a homossexualidade masculina é punida com até cinco anos de prisão! O que poderia ter sido o fim em uma competição gerou pontos a favor.

Esses concursos são para premiar beleza por isso, muitos, sempre ficam com os pés atrás durante os blocos de pergunta. Todas ensaiadinhas, a maioria das respostas conhecidas (Deus, família e paz), sorrisinhos e tchauzinhos contidos. em alguns países as Misses são uma espécie de símbolo nacional. Participam de campanhas sociais, levam sua cultura a outros lugares. Têm uma posição privilegiada que serve de inspiração para muitas garotas. Declarações como essas são incrivelmente negatvas para os movimentos LGBT's ao redor do globo!

Claro que as diferenças culturais entre os dois países citados justificam as diferenças nos resultados. Cinco estados estadunidenses já apoiam o casamento homoafetivo e por mais que se tenha alguma coisa contra este arranjo poucos querem ser constrangidos por suas opiniões, diferente de Botsuana onde, ser gay masculino mais exatamente, é crime. Mas no fim não há diferença... nos dois países muitas pessoas certamente compactuam da mesma opinião e vê-la publicamente em um evento de grande repercussão é satisfatório.

Incrivelmente por mais repugnantes que as duas declarações tenham sido eu prefiro assim, sabia? É melhor alguém chegar e falar " Não sou a favor"ou "Não gosto de gays" que aqueles que se escondem o tempo todo atrás de uma pseudo aceitação para parecerem politicamente corretos. Não quero com isso justificar essas declarações ou que esse tipo de postura não é homofóbica, apenas prefiro saber com que pessoa estou lidando.

Acho que as duas fariam um bem muito grande se apenas mandassem seus tchauzinhos e beijos contidos e, por mais que não concorde com meu amigo, elas poderiam ser apenas bonitas ao responder estas perguntas.


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Hijras

Eu acho, particularmente, a novela Caminhos das Índias um saco. A única coisa que vale a pena nesse folhetim é a oportunidade de apreciar a cultura indiana. E mesmo esse ponto de ancoragem e luz no fim do túnel fica apagado numa trama confusa e caricatural com seus personagens que beiram ao inverossímil. Mas deixemos de lado o enredo megalomaníaco de Gloria Perez, afinal, esse não é um texto sobre seu atual trabalho, e vamos falar sobre xs Hijras.

Muita coisa se fala sobre esse grupo, que teria como equivalente ocidental a identidade transexual, mas pouco se sabe sobre eles fora da Índia. Aliás, no país, até as cenas dos casamentos da novela das 20h poucas pessoas tinham ouvido falar sobre xs Hijras.

De acordo com a tradição indiana elxs não seriam homens nem mulheres e sim o terceiro sexo e credita- se a elxs o poder de abençoar ou amaldiçoar, por isso em seu país - encontrei relatos de sua aparição, também, no Paquistão, na Índia elxs se concetram ao norte -, a violência contra essa representação é vista como mau augúrio.

Quando chegam a casamentos ou batizados, o que fazem com muita música e dança e sem terem sido convidados, ficam pouco tempo e levam suas bençãos em troca de pagamento de prendas ou dinheiro que geralmente são pagos uma vez que se acredita piamente em seus poderes.

Mas quem são e como se tornar um Hijra?

Na Índia, com a obrigação dos casamentos por questões sócio-culturais, a impotência masculina é vista como uma grande desonra para um homem, que com receio da vergonha social, por não procriarem, oferecem suas genitais para a deusa Bahuchara Mata e dessa forma realizam a castração.

Há muito séculos esses rituais acontecem. Atualmente os pais, ao perceberem traços de feminilidade em seus filhos ou deformações em sua genitais os entregam nas casas de Hijras para que possam crescer como ux delxs e assim viver o destino reservado aos efeminados.

Como não são consideradxs gays não sofrem a mesma discriminação que esse grupo. Há também uma representação parecida, mas com algumas particularidades, na Polinésia Francesa (se não estiver enganado!). Vou dar uma pesquisada e escrevo sobre elxs numa outrasoportunidade.

Falando em gays e Índia...

... de acordo com sites nacionais o príncipe indiano, e gay assumido, Manvendra Sing Gohil, 43 anos, estará em São Paulo para participar da Parada do Orgulho. Conhecido como Pink Prince, por morar em uma castelo rosa, foi casado e sseparou-se no fim dos anos 90. Ele saiu do armário em 2006 quando foi deserdado pelos pais mas, reataram, após um entrevista do príncipe à apresentadora Oprah que causou boa impressão.

Ele também é responsável por uma fundação de ajuda à pessoas com HIV/AIDS e diz que procura um amor, mas que está difícil arranjar um em seu país devido sua posição - ele acha que os prtendentes estão de olho em sua posição - e diz que é impossivel uma parada como a do Brasil em seu país devido as convenções sociais e diz que devido a obrigação do casamento muitos gays vivem infelizes, inclusive nas famílias reais.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Versões de violência... Parte II

"Coercing or leaving
Shutting down and punishing
Running from rooms, defending
Withholding, justifying"

Versions of violence - Alanis Morissette


Continuando o assunto do post anterior. Mudam os personagens, o país, os motivos e até o continente. Apenas a estupidez é a mesma.

Dunbendorf, pequena cidade próxima à Zurique, Suíça, noite do dia 9 de janeiro, segunda-feira. Paula Oliveira desce na estação de trem da pequena cidade. Grávida de três meses, ela espera gêmeos. Ela seguia para casa onde reside com seu companheiro. Paula é de Recife. Vive na Suíça por causa do trabalho.

Uma cena comum. Uma pesoa de volta a sua casa após o trabalho, certo? Certo. A rotina continuaria sem alterações se ela não tivesse sido atacada antes de chegar em casa. Agredida com soco e ponta pés, verbalmente, moralmente. Teve o corpo todo cortado por estiletes. Os suspeitos? Três homens brancos, carecas e que tinham suásticas nas cabeças. Neonazistas. Além de toda violência também sofreu aborto.

SVP. Essa é sigla que pode ser vista nas pernas e barrigas da brasileira.É referência ao UDC, partido politíco. O mais popular. O que ganhou as eleições federais no fim de 2007. Que possui uma ala conservadora. Que tem partidários xenófobos.

Primeiro mundo? Talvez seja. Civilizado? Nem.
Cartaz do UDC

É fato que muitos europeus não veem com bons olhos imigrantes em seus países, principalmente os que trabalham. Eles acham que essa "praga" usurpa seus postos de trabalho, além de outros tantos argumentos.

A polícia não tem pistas dos agressores, além da descrição feita pela vitíma, neonazistas, como indicam as suásticas em suas cabeças. É incrível como um simbolo pode ser usurpado e re-codificado se tornando uma das referências mais imundas que se pode ter de alguém. A suástica é um simbolo muito antigo que significa boa sorte, violado, hoje em dia é mais lembrado como a cruz que simboliza o nazismo. É comum que participantes de grupos nazista se neonazistas, a tenham em seus corpos como adorno.

"Ah mas esse tipo de ataque não acontece no Brasil, não tenho com que me preocupar", alguns pensariam. Errados. Eles acontecem aqui sim. Em São Paulo, por exemplo, um grupo desses idiotas atacou e matou um adestrador de cães em um parque. O motivo? Ele era gay. Mas esse é só um exemplo. Poderia citar tantos outros. No geral eles tem como vitímas negros, gays e nordestinos. Difícil imaginar isso no Brasil, né? O país que respeita as diferenças. . . para eles esses ataques são diversão.

As fotos de Paula podem ser vistas em vários sites. Decidi não postar nenhuma. Acho que seria continuar com a violência, sabe?


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Desfile com cheiro de giz

O mais teatral de todos os estilitas brasileiros, o mineiro Ronalddo Fraga, roubou a cena no segundo dia de SPFW. Com uma coleção que homenageia o fundador do teatro de bonecos Giramundo, o também mineiro Álvaro Apocalypse, Ronaldo levou para passarela toda a magia de Giz, espetáculo de 1988.
Tudo é risco de giz, nome da coleção apresentada ontem, 19 de janeiro, não é a primeira homenagem feita por Ronaldo. Em sua última coleção, Verão 2008, ele levou ao palco toda magia do universo de Nara Leão, com direito a trilha sonora ao vivo, cantada por Fernanda Takai do Pato Fu.
Dentro do universo Giz, o velho e o novo são representados como as pontas de um traço de giz, por isso a escolha do casting formado de senhorinhas e senhorzinhos e acompanhados de uma trupe de crianças, que desfilaram as criações do estilista entre monstros-marionetes.
Ao fim do desfile muitos espectadores foram as lágrimas e Ronaldo foi aplaudido de pé!


Quem disse que a galera da terceira idade não fica bem na passarela?

Foto: Nina Jacobi

domingo, 18 de janeiro de 2009

Sobre mulheres e traição


A Favorita acabou na sexta-feira, 16 de janeiro, mas ainda vai render por algum tempo. Várias coisas me chamaram atenção na novela. A maneira como o autor, João Emanuel Carneiro, encaminhou a trama foi muito bem-vinda, principalmente para dar um freesh no formato.

Entre tantas tramas que foram desenvolvidas no folhetim o triângulo amoroso Damião-Dedina-Elias foi um dos que mais me chamou atenção. Em uma novela onde o autor se propôs contar estórias sobre gays, mulheres que deram um basta na situação de violência em que viviam, mulheres independentes, gravidez independente, situações que ainda causam muito desconforto e que a maioria prefere varrer para debaixo do tapete, me chama atenção que a questão da traição feminina tenha sido conduzida da forma que foi.

Foi muito bom ver uma mulher trair sem cair no lugar comum. Não havia ali as razões esperadas para que isso acontecesse, era apenas tesão e pronto! Amor? Sim ela tinha, pelo marido! O outro? O outro era apenas uma boa foda, uma diversão. Sim, a Dedina estava interessada apenas na foda que o Damião poderia proporcionar a ela ao mesmo tempo, em que, era só mais uma aventura do Damião e esposa de Elias.

Com o desenvolvimento da trama o que se viu foi a escolha da personagem como única a estar na condição de traidora. Como fas? Por que isso? Quer dizer que os outros dois "ok, somos homens, sabe como é?" ? Meu cú! Não dá mais para aceitar esse tipo de coisa!

Todos ali estavam em condições iguais. O Elias era apenas esposo da Dedina e assim que a chutou de casa tratou de retomar seu romance com a mulher que ele realmente queria. O Damião era amigo do outro e não pensou nisso quando "se deixou seduzir". E ainda tinha a Greice, que em seus discursos, esquecia sempre que "seu homem" a tinha traído.

Todos os insultos, todo sofrimento e toda humilhação foram direcionados para aquela mulher casada que decidiu fuder por tesão. Os outros? Bom os outros seguiram suas vidas: um como a vítima, o outro como o seduzido redimido, a outra como aquela que lutou pelo "homem da sua vida", mas em comum todos continuaram suas vidas normalmente com exceção da Dedina.

Uma das cenas que mais me impressionou foi a do jantar em que a Diva a chamou para participar. Foi bastante tocante vê-la reclamar a posse de sua casa, seus utensílos, sua história. . . e no fim . . . bem no fim ela precisou ajeitar sua bagunça.

LGBT's e novelas


Até a última sexta-feira, 16 de janeiro, as telenovelas brasileiras contavam cinco personagens assumidamente gays em sua tramas. Com o fim da global A Favorita, onde Iran Malfitano e Paula Bulamarqui, interpretavam Orlandinho e Estela, só ficaram o casal formado por Danilinho e Bené, vividos por Cláudio Heinrich e Nill Marcondes, na novela Mutantes, e a travesti Docinho interpretada por Roberto Bom Tempo em Chamas da Vida, ambas da Rede Record. Se levarmos em consideração as reprises esse número aumenta em torno 50%.

É um bom número se considerarmos que na última década esse tenha sido quase o total de representações nesses produtos. Outro fator importante é a apresentação dessas personagens, elas perderam aquilo que muitos consideram como o tom caricatural assumindo uma postura considerada mais séria.


Cláudio Heinrich vive Danilinho personagem gay em Mutantes


A maior inserção de gays e lésbicas em novelas cresceu, principalmente, após a novela Mulhers Apaixonadas, de Manoel Carlos. Na trama era mostrada a relação de Clara e Rafaela, duas jovens estudantes secundaristas interpretadas por Alline Moraes e Paula Picarelli.

Pois bem, agora eu pergunto: será que essa maior visibilidade vale a pena?

Como disse anteriormente personagens gays deixaram de ser representados de forma caricatural e esteriotipada, mas quem define os encaixes nessas categorias? Será certo assumir uma postura de representação de gays e lésbicas de forma politicamente correta? Quer dizer que fanchas, mariconas, pocpoc's, butch's e outras identidades são caricaturas?

Essa questão é controversa dentro do própio movimento LGBT, se por um lado alguns defedem que a forma "esteriotipada" é nociva para a causa por outro há quem defenda que essas representações são legitimas - e na verdade são - e não concordam com a forma como gays e lésbicas estão sendo re-enciaxados e re-configurados em posições onde a aceitação dessa sexualidade não seja tão traumática.

Esse é um assunto que ainda vai render muito.